Direito de Propriedade industrial
A partir de 1967, constitui-se como órgão autônomo dentro do sistema das Nações Unidas a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI, ou, na versão inglesa, WIPO), englobando as Uniões de Paris e de Berna, além de perfazendo uma articulação com a recente União para a Proteção das Obtenções Vegetais, e a administração de uma série de outros tratados.
A Convenção da OMPI define como Propriedade Intelectual a soma dos direitos relativos à s obras literárias, artÃsticas e cientÃficas, à s interpretações dos artistas intérpretes e à s execuções dos artistas executantes, aos fonogramas e à s emissões de radiodifusão, à s invenções em todos os domÃnios da atividade humana, à s descobertas cientÃficas, aos desenhos e modelos industriais, à s marcas industriais, comerciais e de serviço, bem como à s firmas comerciais e denominações comerciais, à proteção contra a concorrência desleal e todos os outros direitos inerentes à atividade intelectual nos domÃnios industrial, cientÃfico, literário e artÃstico.
Antes da definição convencional, a expressão “Propriedade intelectual†aplicava-se, mais restritamente, aos direitos autorais; nesta acepção, encontramos extenso emprego na doutrina anterior.
Tem-se, assim, correntemente, a noção de Propriedade intelectual como a de um capÃtulo do Direito, altÃssimamente internacionalizado, compreendendo o campo da Propriedade Industrial, os direitos autorais e outros direitos sobre bens imateriais de vários gêneros.
Porém, nem na Convenção da OMPI, meramente adjetiva, nem mesmo no recente Acordo TRIPs da Organização Mundial de Comércio, se tenta uma estruturação das normas jurÃdicas comuns a cada um e a todos capÃtulos da Enciclopédia JurÃdica. Os propósitos deste último diploma internacional não são, aliás, a construção de nenhum sistema jurÃdico, mas a derrubada da individualidade jurÃdica nacional, o que pode levar seguramente a uma harmonização, mas não necessariamente a uma elaboração lógica de um substrato comum, a não ser indutivamente.
Propriedade Industrial
O que vem a ser Propriedade Industrial? Na definição da Convenção de Paris de 1883 (art. 1,2), é o conjunto de direitos que compreende as patentes de invenção, os modelos de utilidade, os desenhos ou modelos industriais, as marcas de fábrica ou de comércio, as marcas de serviço, o nome comercial e as indicações de proveniência ou denominações de origem, bem como a repressão da concorrência desleal. A Convenção enfatiza que, conquanto a qualificação “industrial†, este ramo do Direito não se resume à s criações industriais propriamente ditas, mas “entende-se na mais ampla acepção e aplica-se não só à indústria e ao comércio propriamente ditos, mas também à s indústrias agrÃcolas e extrativas e a todos os produtos manufaturados ou naturais, por exemplo: vinhos, cereais, tabaco em folha, frutas, animais, minérios, águas minerais, cervejas, flores, farinhasâ€.
Ao momento da construção da União de Paris, a singularidade de tais direitos em face dos chamados “direitos de autor†permitia a elaboração de normas autônomas tanto no seu corpo normativo quanto no institucional: a Convenção da União de Berna regulou, desde a última década do século XIX, um campo complementar, mas separado do da Propriedade Industrial, com Secretaria e tratados diversos. A evolução da estrutura institucional internacional reflete, a partir daÃ, a crescente complexidade e amplidão dos direitos pertinentes, nascidos nos sistemas nacionais ou, pouco a pouco, na própria esfera supranacional.
Já o Código da Propriedade Industrial em vigor no Brasil (Lei 9.279 de 15 de maio de 1996) diz o seguinte: “Art. 2° – A proteção dos direitos relativos à propriedade industrial, considerado o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do Pais, se efetua mediante: I – concessão de patentes de invenção e de modelo de utilidade; II – concessão de registro de desenho industrial; III- concessão de registro de marca; IV – repressão à s falsas indicações geográficas; e V – repressão à concorrência desleal.
Novas formas de Propriedade Intelectual
O recital do art. 2o. do Código da Propriedade Industrial Brasileiro não abrange, obviamente, a totalidade dos objetos da Propriedade Industrial, previstos em outras legislações nacionais. O rol dos objetos legais é menor que os dos objetos possÃveis na teia das relações econômicas.
O novo Código da Propriedade Intelecual francês, por exemplo, elenca entre seus objetos os produtos semicondutores, as obtenções vegetais, os caracteres tipográficos e as criações da moda, em regimes próprios. O Direito Americano abrange, além das formas tradicionais, um sistema de patente de plantas, a proteção à s topografias de semicondutores, a repressão especÃfica à publicidade enganosa, os direitos de publicidade e o princÃpio da submissão de idéia, seja como criação legal ou jurisprudencial. Não cessam aà as possibilidades. Com toda certeza, teremos no futuro mais e mais figuras jurÃdicas intermediárias entre o Direito Autoral, no que se poderia chamar hÃbridos jurÃdicos.
Fonte: www.pt.wikipedia.org